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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Persona

Felizes são os escritores. Os ficcionistas, eu quero dizer. Sim, porque eles podem fazer o que quiserem e seus personagens jamais irão reclamar. É sobre isso que venho pensando nos últimos dias: como o indivíduo retratado em um texto pode intervir no trabalho de quem escreve. No caso, o jornalista.

O repórter faz perguntas, o interlocutor responde como lhe convém. Seleciona o que vai dizer de acordo com o que interessa a ele que seja publicado. Quem escreve tem o compromisso de ser fiel àquelas respostas, ou ao menos às ideias gerais nelas contidas. Texto publicado: que atire a primeira pedra o jornalista que nunca teve uma personagem que se rebelou quando viu o produto final.

Por mais cauteloso e isento que tente ser, o criador corre o risco de desagradar a criatura (que não foi criada por ele, diga-se de passagem). Fico imaginando como deve ser difícil o trabalho de um biógrafo, principalmente de obras autorizadas, quando na maioria das vezes toda sua produção está sujeita à aprovação do seu "objeto" de estudo. Não bastasse o gigantesco processo de pesquisa, ele tem diante de si uma vida a retratar que é, ao mesmo tempo, um filtro. Uma peneira que pode pegar justamente os caroços que enriquecem uma história.

E os dramaturgos? Estes sim vivem situação curiosa: criam a personagem da maneira que entendem ser melhor para a trama. Aí vem o ator, todo metido à besta, e transforma o X em Y. Às vezes, o resultado final é melhor que a ideia inicial. Em outras, é catastrófico. Problemas no processo podem até levar a consequências "mais graves". Pra facilitar, o criador mata a criatura. Ou inventa uma viagem, um final feliz antecipado e, de quebra, se livra do intérprete problemático. E o jornalista? Faz o quê?

Bons jornalistas, tenho aprendido, são aqueles que não se permitem pautar pelo entrevistado. Conseguem extrair não o que ele deseja dizer, mas o que realmente importa para aquela matéria. O que motivou a escolha daquela pauta, em meio a tantas outras. Fiel às respostas, ciente do que escreve - e, nunca é demais, seguro graças a belas provas concretas. O gravador pode ser o melhor amigo.

Construir personagens é uma delícia. Imaginar como seria alguém, buscar sentir o que esse alguém sentiria, determinar e executar suas ações... (Stanislavski explica melhor que eu). Mas tão desafiante quanto é trazer quem já existe para o papel.


***

Uma pessoa que detesta coisas desatualizadas e "abandona" seu blog à própria sorte durante um mês merece o quê?
R: Sentir-se mal e voltar ao bloco de notas quando constata que estava morrendo de saudades de escrever aqui. E enfiar na cabeça que falta de tempo não pode virar desculpa para não postar. Dealt!*

*Que drama, mas ok. Tem a ver com nossos temas aqui.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Estreia

Começa aqui o blog de uma jornalista recém-formada, ainda tentando se encontrar entre tantas possibilidades oferecidas pelo campo da Comunicação. De uma coisa, no entanto, tem certeza: atriz e apaixonada pelas artes, vê no universo cultural o seu lugar.

Ambos ofícios - Teatro e Jornalismo - tem sua base na arte da observação. São formas de expressão que, mesmo servindo a finalidades distintas, compartilham o uso de personagens, a descrição de ações, o realce de detalhes. E assim nos proporcionam diferentes olhares e abordagens para uma mesma história.

É este um dos meus hobbies favoritos: olhar, apreciar, observar. Aproveitar o dom que temos de ver as coisas, ora com nossos próprios olhos, ora sob a visão de alguém - um escritor, um encenador, uma atriz, um repórter.

Neste espaço, quero dividir com você a minha visão sobre algumas paixões: teatro, cinema, literatura; idiomas, lugares, culturas; e é claro, comunicação, jornalismo e novas mídias. Sempre buscando compartilhar Tudo o que eu queria ver se estivesse lendo este blog.

Enjoy!